segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

É Natal???

Mais uma vez, época de Natal. As mesmas coisas: pisca-pisca, papai-noel assando dentro de uma roupa horrível para padrões tropicais-brasileiros, panetone (parte boa, deveria existir durante todo o ano), 25 de março lotada, repassando a cultura do bom e barato, vendendo muitas coisas quase descartáveis e desnecessárias, mas que faz a economia girar um pouco, afinal, em época de crise, é o que mais importa, não é?!!! Mesmo que acabe por incentivar uma série de práticas irregulares no decorrer de todo o processo, desde a produção até a compra do produto pelo consumidor. Como a produção de roupas no centro de São Paulo, com base na mão-de-obra escrava estrangeira, na maioria de bolivianos, principalmente, e de provenientes de outros países mais pobres da América do Sul. Enganados pela idéia de melhorar de vida, embarcam rumo ao Brasil, São Paulo mais especificamente, para a exploração e privação de quase todos seus direitos. Mas o que importa mesmo é poder comprar um calça jeans a 15,00 reais. Quem sabe comprar um monte e revender? Dessa forma compactuando fortemente com todo o sistema. Pois uma coisa é ganhar pouco e ter que comprar uma calça feita à base de mão-de-obra escrava porque se não comprar essa não poderá comprar nenhuma outra. Contudo, comprar um monte delas visando lucro já é algo diferente.

Mas que nada, é Natal! Vamos esquecer tudo e comemorar algo, se enchendo de bebida até o corpo não mais aguentar, pois a cada ano que passa está cada vez mais distante o verdadeiro "espírito do Natal". E não precisa ser cristão para observar este "espírito do Natal", uma reflexão sobre o que aconteceu durante todo o ano, rever os valores e tentar não cometer os mesmo erros e vícios, assim como estar mais perto daqueles que gostamos, ou ajudar alguém que esteja precisando, enfim, tentar viver sem prejudicar ninguém ao mesmo tempo de não explorar ninguém, ou levar vantagem, passar alguém para trás, tudo isso não está somente vinculado ao cristianismo. De fato posso ser um bom cidadão mesmo sendo agnóstico, ateu ou simplesmente laico.

Mas é Natal. Vamos aos shoppings lotados em busca de presentes incentivados pela propaganda. Vamos gastar combustível e poluir mais o ar em busca de uma vaga no estacionamento. Depois observar os desfiles de grifes tanto nas pessoas como nas vitrines, depois comer um fast-food qualquer e então voltar para o carro, depois de ter pago o estacionamento - que nesta época do ano tem reajuste - cheio de sacolas e felizes, por ter realizado a melhor das terapias contra a depressão, segundo muitos por aí: ir às compras. Daí enfrentar um trânsito cada vez mais caótico até conseguir chegar em casa, ligar a televisão e se autodesligar, principalmente de si mesmo. Ah, se toda tristeza fosse apagada de vez quando se enche as mãos de sacolas.

Mas é Natal!

Para os que acreditam e para aqueles que não acreditam, não importa, queria mesmo é que o Papai Noel morresse em detrimento do nascimento (ou da volta) Daquele que, se esteve por aqui ou não, esta não é a questão, deixou algo de valor, que aconteceu ou não segundo os escritos, que mesmo depois de 2008 anos é lembrado, cultuado, amado e ao mesmo tempo esquecido, e que de fato em nome dele ou não poderia ser mais praticado entre os humanos, tornando sim a vida um pouco menos dolorosa e mais eperançosa aqui na Terra.

Mas é Natal. E que possa ser feliz, se não a todos, para a maioria.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Qual o sentido?

De onde vem?
Por que vem?
Por que insiste?
E quando vai embora de vez?

Que traz consigo tristeza, culpa e medo,
Atingindo em cheio aquilo que já não vive bem,
Que ainda precisa de cuidados,
E que procura por um sentido para o restante de uma caminhada.

Que faz fugir à própria consciência,
Vivendo nas ilusões e desperdícios,
Em busca da distração à realidade,
Que maltrata e agride a esperança.

Que instiga a saber sobre aquilo que deve ser esquecido,
Sem mesmo saber ao certo o que é,
Que faz parte do passado,
Mas que insiste em ser presente.

Que ao chegar traz perturbações, dor e angústia,
Escurecendo a mais clara das luzes,
E que quando parece ter ido embora,
Deixa um grande vazio de paz,
Mas cheio de esperança de reencontrar a felicidade.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Psiu! Ouça.

Feche os olhos. Se conheces um pouco de teoria musical e um piano, imagine a transformação de cada símbolo de uma partitura no respectivo som quando cada tecla branca e preta é pressionada, iniciando todo processo mecânico, mas cheio de sentimento, passando pelo toque do martelo da máquina em uma ou mais cordas de aço, que dentro de uma caixa de madeira ressoam como toques de um anjo que por fim atingem os ouvidos e quiçá a alma daqueles que ainda possuem alguma sensibilidade.

Assim é o passeio das mãos num teclado de piano, que acaba por tocar a alma, que faz bailar ao som de uma valsa, que faz tremer ao som de uma rapsódia, que faz chorar ao som de um prelúdio ou de uma sonata, que faz sorrir ao som de um scherzo e que faz sentir através de todos eles.

Arte pode ser discutida, mas música, antes de tudo, deve ser sentida, e originar algum processo interno àquele que a ouve, seja qual ele for, algo deve acontecer dentro de cada um ao ouvir determinado som, enquanto humano.

Ah, caro leitor(a). Podes pensar que se trata de romantismo fora de época, como se houvesse uma só época para ser romântico, de ilusão, de perda de tempo, de algo ultrapassado. Não tenho pena de quem pensa assim, ou parecido, pois a pena sugere algum conceito de superioridade de quem a sente em relação a quem é destinada. Mas há sim algum sentimento, de tristeza, talvez, por ver cada vez mais o mundo menos ligado aos valores que interessam, aos sentimentos bons, à sensibilidade de entender cada som, por mais desconhecido que ele seja, de sentir, de experimentar, de ouvir e falar menos.

Mesmo o silêncio tem suas virtudes.

(Ao som de Chopin, Valsa opus 69, n.º 2, intérprete: Vladimir Ashkenazy)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Carta aberta aos amigos em Lyon, França.

É, Jardel. Não é fácil não. E eu que tive de trabalhar na sexta, meu sábado deu errado e nem pude ir pro Biffe!!! Fazer o que. A vida é assim, de fases. Lembro de um dia eu estar dentro da Faculdade de Direito de Coimbra ao lado da Ana preparando aula de italiano e filando a internet do campus da Universidade. Naquele ano, 2006, estava sendo jogada a Liga USP e de repente a FFLCH foi parar na final contra a Odonto. Ahhhh... que angústia, uma final e nem por perto eu poderia estar. Naquela época, ao menos, muito mais gente se empenhava na comunicação pelo e-mail, seja para botar pilha, reclamar, cornetar etc. Hoje esse grupo tá quase morto, sempre os mesmos escrevendo, cornetanto, reclamando etc. Bom, mas então, sem internet em casa, fomos eu e Ana pra Universidade e logo fui ao e-mail pra ver o resultado da final. Que beleza, FFLCH campeã! Saí correndo pelo pátio da faculdade numa empolgação só. Era a saudade e vontade de estar junto.

Viver fora do País é complicado. Temos que gastar em euro quando se ganhou em real. Não há casa do amigo pra dar uma escapada. Não há futebas com os amigos, cerva no bar de costume com os amigos, a simples conversa na sua língua-pátria na mesa ao lado, dando a sensação de estar em "casa", de fazer parte daquilo tudo. Em Portugal, por causa do preconceito deles sim, muitas vezes não tinha nem vontade de falar para não ver olhares tortos em minha direção e à Ana Paula, que só depois de 4 meses de aula teve contato com uma ou outra portuguesa, pois "provou" para elas que não era mais uma brasileira prostituta atrás de um marido europeu. Quanta coisa tivemos de aguentar calados, sem poder descarregar. E isso muda a gente, para sempre, e jamais vou "perdoar" o que aquele país, povo, mentalidade e costumes fizeram à Ana Paula, tenho certeza de que se hoje não estamos mais juntos, é mais uma conseqüência daquela vida-transformadora em passagem por terras européias. Com mais ou menos intensidade, nos tornamos diferentes daquilo que fomos um dia. Mas a vida é assim. Tudo tem conseqüências.

É muita informação e coisa nova ao mesmo tempo para absorver. É muita burocracia pra resolver. Vocês ainda foram mais estruturados, já com moradia, curso e tudo mais. Agora imagine estar na Itália e descobrir que em duas semanas o amor da sua vida, até então, tem que estar em Coimbra para começar a estudar, sem saber sequer onde vai dormir, comer, como chegar e como sair. E depois correr atrás de toda documentação para retirada de visto de estudante para não correr o risco de ser chutado da Europa, nossa... quanta correria e papelada. Mas a gente cresce com isso, é na dificuldade que se aprende muito.

O desespero dos domingos era tão grande que implorei para minha mãe enviar via correio meu skate para poder me distrair um pouco. Tem hora que leitura, música, tv etc. não dão conta. Quantas vezes íamos em meio a um baita frio até a Associação Académica da universidade para ficar ouvindo pelo notebook a Jovem Pan online, escutando "brasileiro" e não português. Entendi por que em países como Noruega, tão organizados e com tudo funcionando, o índice de suicídio é elevado, tem hora que não dá pra segurar a onda da rotina.

Mas é isso. A gente cresce e aprende. E acredite, vai servir pro resto da vida para muitas situações. Então o negócio é absorver tudo que se pode, depois veja o que serve e o que não serve, recicle e aplique no dia-a-dia da vida.

E olha, de repente tá na hora de voltar. Aproveite a civilidade, educação e cidadania, porque depois sentirão falta, aqui tá cada vez mais lei do cão.

Por fim, joguem fora algumas "âncoras" que nos "prendem" ao que já passou. Há muito pela frente. A vida de cada um vai seguindo, tomando rumos diferentes, isso é normal. Não faremos parte para sempre da Instituição FFLCH-USP, mas com certeza ela fará parte de cada um de nós. Fico triste quando não encontro mais o Mário, o Vamp, o Patolino, Rapadura, Miltinho, o Hélio, entre outros, mas fico feliz de ainda encontrar o Charles, o Brunão, o Luis, entre outros tantos mais. Sinto com essa rapaziada que seremos amigos de carregar o caixão de quem for primeiro, que deixará um vácuo muito grande no peito quando partir. Todos nós vamos um dia, só não sabemos a ordem que isso vai acontecer. Fizemos juntos história na AAAOA. Mas a instituição vai se modificando, sendo preenchida por outros elementos. E quem sabe até poderemos cair no esquecimento. Mas para nós, cada uma sabe o que essa geração de guerreiros fez por ela, e por nós mesmo. Mas é uma fase. Nosso grupo feito foi diferente, tinha algo especial. Não que sejamos melhores ou piores do que os outros, mas relamente havia uma coisa a mais, diferente, verdadeira, de família, de co-irmão. E um time para ser campeão precisa disso, de algo especial, de algo a mais, não basta só técnica, jogadas e preparo físico. Tem que ter um algo a mais. E na nossa época, faltava tanto treino, preparo físico, técnica e jogadas que esse algo a mais era tão grande que conseguimos um primeiro título em cima da EEFE. Não era um grupo comum, a diversidade era grande, mas o objetivo era o mesmo. E vencemos.

Mas um dia, a vida adulta bate à porta. E isso não é desculpa para que não estejamos juntos. Amizades são contruídas e devem ser cultivadas para sempre. Mas tudo é uma questão de escolha. Tem gente que prefere grana, outros poder, outros algum tipo de distração, outros fuga de alguma coisa ou de alguém, eu particularmente escolhi as amizades, escolho meus amigos, quero freqüentar a casa deles, as famílias deles, brincar com os filhos deles, e que todos eles façam parte constante da minha vida, seja onde for, no bar, em casa, no campo...

Acho até que eu nem deveria mais fazer parte desse grupo de email. Não posso mais jogar, de vez em quando posso treinar, mas ainda tenho amigos jogando no time, e torço por eles, como pela Instituição. Mas acho que tá na hora de deixar a galera seguir, sem me meter muito. Cada ano vem mais gente nova, e os amigos vão saindo do time. Vai ficando cada vez mais fora da minha vida a vida acadêmica-atleticana-fflchiana. Nem mais laranja o time é!

Mas... sempre que for solicitado, na medida do possível, estarei aí pra debater, contar histórias, dizer o que funcionou e o que deu errado, e por aí vai. Por enquanto, acho que o grupo tem gente suficiente para saber dos rumos, métodos e objetivos do time de futebol da FFLCH-USP. Que fique claro!!! Não se trata de um time particular de ninguém. É a FFLCH-USP que entra em campo contra outras unidades. Isso tem que ficar claro. Não se pode ter em mente que se trata de um time para bater uma bola de fim de semana. Não!!! Pra isso tem o time de próximo, o treino do CEPE, o areião... Sem comprometimento, não rola!

Portanto, amigo Jardel e Alex, nossa missão foi cumprida. Tá na hora de passar mesmo o bastão, e não temos o direito de cobrar nada de ninguém que tá aí agora. Mas de expressar o que pensamos? ahhhhh... nada vai nos tirar esse direito! E a galera que tá chegando tem que saber o que aconteceu para poder entender o que é FFLCH-USP e o que fazer com ela. Tem que ouvir sim que perder para o IME acontece, mas não deveria acontecer. Que perder para a BIO é foda. Faz parte do futebol. Mas a responsabilidade é total de quem está lá. Eu sei o que fiz e quem me ajudou. Eu sei quem esteve do lado e teve comprometimento, seja da maneira que for, cada um é diferente do outro, não dá pra sermos todos iguais como robôs, a diversidade complica, mas enriquece. Eu vou levar para sempre minhas lembranças de comprometimento, de treino, das escolhas de não fazer balada porque no dia seguinte tinha que fechar o gol. Vou levar para sempre as noites de ansiedade antes de jogos importantes, as dores das falhas, derrotas e as musculares de treinamento duro. Vou levar para sempre a sensação de dever cumprido a cada defesa que fazia, de cada título conseguido (e aqui conto o vice dos Jogos Mix, nós ganhamos aquilo!). É, eu vi o que era o time de 1999 e vi o processo de transformação até 2005, ano glorioso, da colheita das sementes plantadas e cultivadas.

Mas o tempo passa, pessoas vão e vêm e o time está aí, de uma forma ou de outra, está aí. Agora o que cada um vai querer ter como memória para o resto da vida é uma questão de escolha particular. Eu fiz as minhas, e tenho orgulho das minhas escolhas.

Eu "veni, vidi, vinci". Para sempre vou levar a minha vida acadêmica e todos os ensinamentos comigo. E melhor, aplico-os no meu dia-a-dia, de nada adianta o conhecimento se apenas guardado dentro de um livro, ou lá num canto da mente. A prática é fundamental.

Agora o que cada um quer levar da vida acadêmica?
Ensinamentos? Baladas? Mulheres? Um simples diploma? Uma profissão? Conquistas com o time da faculdade?
Por que não tudo isso!!! Basta dedicação!

Agora se nada disso faz muito sentido, é... que faaaaaaassseee desse pessoal que vem por aí. Fico triste, mas não posso exigir dos outros aquilo que eu aprendi a dar valor e a ter como referência a partir das experiências da vida. Para mim nada foi fácil e cada conquista tem um grande valor.

Saudades, Jardel, saudades Alex! O futebol é uma paródia sócio-comportamental. Nós sabemos dentro e fora de campo o que é ganhar ou perder uma simples dividida. Tem coisas que não precisam ser ditas, basta um olhar, uma vibração, uma lágrima ou um sorriso.

Até a volta,

Helder.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Música e energia, pleonasmo?

A energia proporcionada por meia dúzia, ou muito mais, de notas musicais pode ter muitos significados, impactos, ações e reações, mas o relevante aqui é o que cada vibração sonora, combinada uma com a outra em diferentes freqüências, ritmos e melodias pode despertar em cada um de nós. Se no cinema há trilhas sonoras que acompanham muitas cenas, na vida é assim também, mas no que diz respeito à vida humana do nosso dia-a-dia, não há como organizar, programar e executar as músicas com a precisão e efeito desejado como quando executadas em uma determinada cena em um filme qualquer, como aquela romântica na hora do beijo de um casal, ou aquela empolgante na hora de uma perseguição policial, ou ainda aquela sinistra quando na cena está quase tudo escuro e não se sabe bem onde está o serial killer, que já assassinou todos os seus amigos que estavam se embriagando num cenário conseqüente do "sonho americano", "from the american way of life". Na vida, diferentemente dessa programação, o acaso, o destino, ou o que melhor lhe vier à mente, é que escolhe as trilhas sonoras dos nossos momentos por esse longa que se chama vida.
A música tem um imenso poder nas pessoas, aquelas humanas ainda. Ela pode marcar um momento qualquer e eternizá-lo para sempre. Pode trazer à tona lembranças. Pode emocionar instantaneamente, ou ainda muito tempo depois quando ouvida novamente. Pode fazer rir ou fazer chorar. É, ela tem poder. E por que aquela música marcou e não uma outra qualquer? Parece que é ela que escolhe, não nós. De repente a vibração sonora nos bate e algo muito original surge e explode dentro de nós. Uma sensação de prazer, embalo e de união de todos os sentidos se faz presente. E pronto. O momento foi marcado. Sempre que se ouvir aquela música ela trará consigo outras lembranças que não só a letra, melodia e ritmo próprios.
O que dizer então quando a trilha sonora de algum momento é de repente executada por aqueles que a fizeram, e ao vivo na sua frente? Energia pura. E quando executada de forma profissional, sem falhas ou imprevistos? Melhor ainda. Perfeito! A energia de um show é algo extraordinário. É arte. É sentimento. É humano. Imagine a emoção de um casal ao estarem juntos na pista depois de 20 anos e depois de construírem tantas coisas juntos quando vêem e escutam ao vivo, num jogo de luzes e cenários diferentes, aquela mesma música que 20 anos atrás se fez presente num primeiro olhar, beijo, transa, ou seja lá o que for, mas que marcou a união de um com o outro ou alguma troca de energia? Pura energia. Uma explosão de lembranças e sentimentos antigos, e novos ao mesmo tempo. E mais uma vez, tempo e espaço parecem não ser mais como aqueles percebidos através das aulas de física.
Na vida esquecemos de muitas coisas, é uma pena depender da nossa memória humana, ainda, que é falha e seletiva. Salve a tecnologia! Mas ainda bem que particularmente não consigo esquecer das energias transmitidas através das bandas que vi e ouvi ao vivo, e isso não tem cyber shot que capture. E numa paródia grosseira, mas eficaz, "não tem preço". Não saberia o que seria da minha vida sem a tal da música e tudo o que ela traz, sempre, sem se importar com o tal do tempo e espaço.
Não sei exatamente quem disse e como tomei consciência disso, mas um dia ouvi a frase que "enquanto houver música não haverá solidão". E isso é verdade.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ser Adulto...

Achei interessante o texto, boa leitura.

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
- 'Ah, terminei o namoro... '
- 'Nossa, quanto tempo?'
- 'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou'
- É, não deu...?
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro.
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...senão bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê piti.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.

Nem todo sexo que não é Tão bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.

Enfim... Quem disse que ser adulto é fácil?


Arnaldo Jabor


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Que beleza!

Dizem que beleza é fundamental. Como diria Vinicius de Moraes, expectador da passagem da garota de Ipanema, contudo mais voltado à beleza paulistana, devo concordar com ele, "que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental.
O significado de beleza é, de fato, subjetivo e particular a cada um. Mas há algumas convenções sociais, principalmente a uma das partes do universo chamado beleza, aquela chamada de estética, conhecida como aspecto, como "embalagem", o que se vê de cara. E esta é a que mais se mostra. Homens gostam de uma bela pele, de belos olhos, independentemente da cor, dos traços de um belo rosto, dos cabelos que voam ao vento, do belo corpo cheio de curvas, nada em exagero, mas que fazem derrapar os olhos e os toques mais sublimes.
Mas a que realmente contagia, enlouquece, escraviza e vicia é aquela mais por debaixo disso tudo, que está por dentro, que não se mostra a todo momento até que vem à tona numa explosão de naturalidade, surge de forma espontânea, não planejada. Esta é a mais bela das belezas, pois é a que a difere de qualquer outra, ela é particular a cada mulher, mesmo levando em conta a grande variedade no planeta, principalmente aqui no Brasil, cada mulher tem a sua.
Trata-se de um olhar, de um gesto, da suavidade da voz, da alegria de uma gargalhada, de um simples andar, de uma arrumada no cabelo, ou seja, de qualquer meio de interação com outra pessoa, ou com um bichinho de estimação, mesmo que seja aquele ursinho de pelúcia, ou até mesmo com ela mesma. A feminilidade é a beleza mais bela de todas, e quando bem usada deixa uma legião de fãs pelo caminho, enlouquece uma ou mais mentes, escravizando o pensamento em um só: nela, aquela mulher. Mas por favor! Mulheres, não nos maltratem!

Obrigado, mulher, por você existir.

Uma homenagem a todas mulheres neste mundo.
Em especial a minha inspiradora para este texto.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Uma poesia

Esperando pelo inesperado,
Cuidando do eu-mesmo-comigo-mesmo,
E à procura dela.

Na expectativa dele me acertar novamente,
As saudades e lembranças preenchem o espaço,
Que não pode ficar vazio,
Que faz viagens no tempo e traz o passado,
Que vira presente, mas que não presenteia.

Tempo e espaço, numa constante mutação,
Tornam cada instante uma miscelânia de sentimentos,
Que vão e voltam de forma muito rápida,
Quase de maneira incompreensível,
Mas que deixa alguma esperança.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O HORIZONTE MOVEDIÇO E OS INTERESSES DO BRASIL

Mais um texto muito bom que recebi via e-mail e que deixo aqui disponibilizado para leitura e, principalmente, reflexão.

AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobrás

Os homens de Estado desfibram-se no mundo inteiro, enquanto os recursos naturais minguam, aumenta a pressão sobre o consumo e ressentimentos afloram. Cada povo procura voltar-se para seu espaço e sua história, a fim de reunir forças e cruzar o horizonte movediço. Enfim, o nacionalismo está de volta. A campanha eleitoral norte-americana é orientada para conter a erosão do poder do país, mediante novo pacto de coesão interna. McCain aposta nos marines e em Wall Street para ficar 100 anos no Iraque; Obama diz confiar na força do povo. A Europa titubeia. Não pode arrostar o novo Kremlin, senhor do fogo do gás, do petróleo e das ogivas nucleares. Já arriscou muito, em sua gratidão a Roosevelt e a Marshall, pela ajuda na guerra contra os alemães e na reconstrução continental. Há sinais de moderação de sua postura, como a conclusão dos representantes da OSCE de que os georgianos se prepararam intensamente para a invasão e cometeram crimes de guerra na Ossétia do Sul – de acordo com as informações de Der Spiegel.

É nesse contexto que devemos examinar os nossos problemas. Temos que escolher entre continuar na política de entrega dos recursos naturais aos estrangeiros, ou retomar o projeto nacional de desenvolvimento de Vargas e Juscelino. O neoliberalismo, sob a bênção polonesa do papa Wojtyla, contrariava o senso da realidade e já se encontra perempto. A Inglaterra passa pela pior fase de sua economia, desde o fim da II Guerra Mundial, destruída pela deregulation de Mme. Thatcher, e os Estados Unidos financiam a guerra e o desatino consumista de sua sociedade com dinheiro chinês.

Temos questões urgentes a serem resolvidas, como as da soberania sobre a Amazônia, o aproveitamento dos grandes recursos minerais, entre eles os das jazidas de petróleo situadas abaixo da camada de sal da costa atlântica, e a integração dos grupos culturais diversificados de nossa população que a insensatez pretende transformar em nacionalidades.

Os interesses privados, associados ao capital estrangeiro, mobilizam-se para se apoderar do petróleo subsalino. Não admitem que haja novas regras. Querem continuar extraindo o óleo e repassando ao Estado a reduzida participação de menos de 40% sobre os resultados, decidida pelo governo anterior, quando, em outros países produtores, ela passa de 80%. O governo pretende mudar as regras do jogo, mesmo porque o cacife agora é outro. O monopólio da União sobre o petróleo autoriza o Estado a decidir o que fazer dele. Poderá o governo, como maior acionista da Petrobrás, convocar o aumento da capital da empresa, e aportar o valor das novas jazidas, a fim de elevar sua participação e fortalecer o controle acionário, ou criar nova entidade, a fim de administrar o imenso manancial descoberto.

A Vale do Rio Doce também deve alinhar-se ao projeto nacional de desenvolvimento. A empresa, na ânsia de livrar-se da identidade nacional, mudou o nome que a vinculava a Minas e ao Brasil, e se desfez de seu logotipo. Quando se toca nos emblemas, há poderosos interesses políticos em causa. A empresa caminha, resoluta, para a desnacionalizaçã o, mediante alianças internacionais suspeitas. O Estado ainda detém o poder de veto sobre suas decisões, mediante uma golden share. É hora de acompanhá-la mais de perto e fazer valer essa prerrogativa, ainda mais porque está sendo financiada generosamente pelo BNDES.

Temos de enfrentar, também, o falso problema étnico no país, antes que ele sirva aos que pretendem insuflar conflitos internos, a fim de destruir nossa soberania. Os negros, mediante o senador Paulo Paim, reivindicam cotas de empregos. Pretendem que 46% das vagas em empresas com mais de 200 trabalhadores sejam a eles destinadas. E aqui chegamos ao domínio do nonsense: é quase impossível saber quem é negro, e quem é branco no Brasil, um país – graças a Deus! – de mestiços. Seria impossível estabelecer os direitos proporcionais à composição genética dos mulatos, dos cafuzos, dos mamelucos e dos albinos. A regra provocaria disputa irracional entre os trabalhadores a partir do matiz de sua pele.

O problema social no Brasil não está na divisão entre brancos e negros, e, sim, entre pobres e ricos, como sabemos todos – menos alguns.

Mauro Santayana (jornalista)

maurosantayana@ jb.com.br

Publicado originalmente: Jornal do Brasil (01/09/08)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Apenas faça.

Sabe aquilo que você está para falar, perguntar, expressar – seja o que for – a uma pessoa mas não o faz porque falta tempo, ou porque sempre surge algo que impede o contato ou encontro de vocês? Pois é, faça o que se pode fazer o quanto antes, pois a qualquer momento esta pessoa pode não mais estar acessível. E aí vai ficar por certo tempo, ou até para sempre, um sentimento de intensa culpa e frustração de continuar vivendo esta vida de forma cada vez mais acelerada e sem tempo para as coisas mais básicas da vida, como dizer um muito obrigado, um gosto tanto de você, ou até um te amo. Esse tipo de comunicação, de olhos nos olhos e entre duas pessoas ou mais, é que expressa uma das mais importantes e nobres características de um ser humano: a relação com o semelhante, seja mais próximo ou mais distante, necessária a cada humano que vive e habita esse planeta.

O poder da palavra é muito grande; pode originar os mais variados sentimentos negativos e positivos naquele que recebe a mensagem, ou naquele que emite a mensagem. Há que se ter muito cuidade com o que é dito, é verdade, mas não dizer pode ser muito pior. Como já se ouve muito por aí, é melhor errar tentando do que por não fazer nada. E é para os casos de errar que existem palavrinhas cada vez mais esquecidas: perdão, minhas desculpas, sinto muito, até um foi mal, não era minha intensão. E quando são ditas de forma sincera se percebe tal sinceridade, aí fica a cargo de cada um entender e querer perdoar, desculpar ou até dizer um relaxa, não foi nada, desencana.

Então vá lá, encontre as pessoas, olhe nos olhos delas e diga o quanto elas são importantes na sua vida, o quanto você as considera, o quanto você as ama. Isso é ser humano.

Esqueça a internet. Duvido que você não tem dez segundos para isso. Pegue o telefone, respire fundo e diga o que tem vontade de dizer, sinceridade, carinho, atenção, afeto, todos estes sentimentos são possíveis de se perceber apenas em se ouvir uma voz. Já é algo mais humano.

Apenas faça. Daqui a pouco pode ser tarde demais. E o tempo é implacável com todos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Faz parte da vida, e da morte.

Melancolia: estado mórbido caracterizado pelo abatimento mental e físico que pode ser manifestação de vários problemas psiquiátricos, tendendo hoje a ser considerado mais como uma das fases da psicose maníaco-depressiva; estado afetivo caracterizado por profunda tristeza e desencanto geral; depressão.
(Houaiss).

A trilha sonora vem em forma perfeita: Frèdèric Chopin, Prelude Op 28 # 15 'Raindrop' In D Sharp Major, ou Prelude Op 28 # 4, ou ainda o Prelude #4 in E minor, Op. 28 #4. Os prelúdios de Chopin, maior gênio da música clássica no piano em se tratando de melancolia, são verdadeiras obras de artes.

Ao contrário do que muitos podem pensar, a melancolia pode fazer bem. Pode significar uma ruptura com a maldita rotina diária, uma quebra da linearidade da vida contemporânea mórbida e pesada que cerca e prende todos, cada um em sua própria linha ou bolha, cada vez mais parecidas umas com as outras dados os êxitos dos formadores de idéias e comportamentos em tempos passados e atuais, mais fortemente os atuais.

Por "força maior", pensar no que está acontecendo consigo próprio é bom, e isso a melancolia permite e incentiva. A reflexão é sempre bem-vinda, ou deveria sempre ser. A solidão parece acompanhar, ou quem sabe até originar a melancolia. Difícil criar uma regra, pois como todo humano único, os acontecimentos com cada um são únicos. As experiências podem ser muito parecidas, os meios podem ser os mesmos, mas as sensações são pertinentes a cada um e são verdadeiramente únicas. Não se chuta a bola de uma mesma maneira, nunca. Não se sente dor do mesmo jeito que se sentiu antes, mesmo que seja no mesmo lugar. Não se ama sempre do mesmo jeito, mesmo que seja a mesma pessoa. A mesmice não parece ser característica saudável da vida, mas parece ser característica de parte do texto, mesmo se "mesmo" e "mesma", mesmo não sendo os mesmos, se repitam por várias vezes. Cada olhar é único, cada gesto é um gesto, cada palavra é uma palavra, mesmo que sejam todos estes repetidos, jamais serão os mesmos. O tempo não pára, os momentos se seguem e até em letra de música isso se verifica, "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia".

O que fazer então quando algo que deveria ser congelado e permanecer para todo o sempre de determinada maneira – tamanha felicidade e êxtase naquele momento – se perde, ficando apenas no passado e na memória até que o tempo se encarregue de apagar ou deixar cada vez mais distante aquela sensação? Ou ao contrário, escravizar a mente àquele momento tamanho o apego àquilo que foi tão bom. A melancolia parece ser acompanhada por certa nostalgia também.

Ainda bem que o tempo não pára. Ainda bem que tudo pode ser diferente. Ainda bem que tudo pode ser parecido e não igual, pois fica a esperança, ao menos, de que algo melhor possa surgir e que tempos mais felizes possam se realizar.

Enquanto isso; a melancolia, um pouco de solidão e um pouco de nostalgia, embaladas ao som de Chopin, o mestre.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A informação e suas formas

QUANDO SE TEM DOUTORADO
O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da rensagem do caule da
gramínea Saccharus officinarum Linneu, 1758, isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial quivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera, Linneu, 1758. No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.

QUANDO SE TEM MESTRADO
A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-

se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.

QUANDO SE TEM GRADUAÇÃO
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.

QUANDO SE TEM ENSINO MÉDIO
Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.

QUANDO SE TEM ENSINO FUNDAMENTAL
Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.

QUANDO NÃO SE TEM ESTUDO
Rapadura é doce, mas não é mole não!!!

(Texto recebido por e-mail de um amigo e de autoria desconhecida.)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

De forma saudável em duas rodas

Então depois de algum tempo sem quase nenhum além daquele para o trabalho, redescobri a minha "magrela" e voltei a pedalar. E apenas depois de alguns metros da porta de casa tive a migração do meu subconsciente para o consciente – de forma repentina e prática – do que estava esquecido em algum canto da mente, mas que já era sabido: a falta de respeito, consideração, atenção e até compreensão àquele em duas rodas movidas nada mais nada menos que por energia limpa e sem danos de um ser humano.

Em uma cidade em que cada vez mais as vias "ficam menores" e insuficientes para veículos a motor – sem falar da tamanha perda de tempo parado ou em lentidão no trânsito – a bicicleta pouco a pouco vem ganhando adeptos como meio de transporte e locomoção, e não mais apenas como objeto de lazer ou para a prática de exercícios. Pois é, além de ser uma boa opção para o transporte em pequenos e médios trajetos – a distância a percorrer depende do preparo físico de cada um – o uso da bicicleta só traz benefícios ao usuário, mas ao mesmo tempo, pelas ruas de São Paulo, o exercício de ciclista é tão perigoso, ou mais, do que os chamados esportes de risco, como o bungee jump, vôo-livre, paraquedismo, entre outros. Não há espaços suficientes adequados, tipo ciclovia, asfalto de qualidade que ajude no equilíbrio e manutenção da direção segura, sequer guias regulares que pudessem ser usadas como "pista". Calçada, bom... se em certos bairros já está difícil andar a pé, tamanha a quantidade de pessoas pelas calçadas, imagine com uma bicicleta!

Mas pior do que toda essa falta de infra-estrutura para o exercício do uso da bicicleta é a falta de respeito dos que estão em seus automóveis-tanques. Muito é devido ao crescente despreparo dos novos motoristas, formados por auto-escolas mais interessadas nos pagamentos e taxas do que na correta formação do condutor. Depois vem o exame para a obtenção do documento de habilitação. Documento este muitas vezes obtido pelo simples pagamento de "taxa", permitindo que muitos sejam habilitados a conduzir um automóvel no difícil e caótico trânsito de Sampa, mesmo que não apresentem as condições mínimas para tal. Quem não conhece uma história dessas para contar?!!! Calcular espaços, distâncias e velocidades é coisa para a física e vestibular só, não é?!!! O pior é que além da falta de capacidades técnicas para o convívio no trânsito parece imperar mesmo a falta de respeito e consideração dos veículos-condutores aos ciclistas.

É, companheiro ou companheira de "magrela". Muito cuidado! E este ainda é pouco. Mas se ainda tem coragem, não desista. Eu não vou, por enquanto.

Cabe bem um "boa sorte".

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Saudade

A palavra "saudade" pertence à língua portuguesa e em outras línguas não há uma tradução ou equivalência certeira, principalmente no que diz respeito ao significado em relação ao significante. Mas deixando um pouco de lado a lingüística, é mais ou menos como o frio e inverno aqui no Brasil em relação aos de outros países. Excluido um pouco as serras e a região Sul do País, no restante do Brasil não temos um inverno ou frio para curtir, ainda mais em tempo em que o aquecimento global só faz aumentar, inclusive a temperatura média.

É verdade que parece que a maioria das pessoas não gosta de um friozinho, prefere mesmo o calorão e pouca roupa, cerveja geladinha, carnaval, coisas do Brasil mesmo. E como isso é bom, com certas ressalvas ao Carnaval. Mas principalmente para quem morou em terras mais frias pela Europa e teve que se adaptar ao clima mais frio, um friozinho dá muita saudade. E logo quando surge a notícia de uma frente fria e que a temperatura irá cair, um sorriso se faz, e quando a frente fria se instala de fato, a curtição dos aspectos deste friozinho, mesmo que passageiro, se realiza no vestuário, na alimentação, no beberico de uma taça de vinho aqui, outra ali, de uma boa leitura por debaixo de um edredom etc. Já imaginou que legal ver a Av. Paulista recebendo flocos de neve? Seria muito bonito.

Ahhh... que saudades de um friozinho. Bem que poderia durar mais um pouquinho, não é?!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Pior que é possível e é real

Não é possível que possamos viver respirando o ar "regular" que estamos respirando aqui na cidade de São Paulo. Regular porque é o que diz aqueles medidores espalhados por algumas poucas ruas da cidade e pelos boletins da própria CETESB. Mas quando se está em alguma parte alta da cidade, como a avenida Heitor Penteado – principalmente nestes dias de inverno em que o ar fica predominantemente mais seco – pode-se ver a espessa camada de poluição no ar, o mesmo que respiramos. Um dia desses mesmo estava passando por aquela avenida e quando percebi tal camada de poluição no ar a primeira coisa que me veio à cabeça foi a Cidade do México dos anos 80, que enfrentou sérios problemas com a qualidade do ar em sua atmosfera.

Infelizmente não possuímos como sociedade e indivíduos a ação de cobrar, fiscalizar e resolver – ou ao menos diminuir – a emissão de poluentes ao ar que respiramos. Esse comportamento individualista e dependente de automóvel – que de fato é o que mais polui o ar da cidade – aliado à má conservação ou até ausência de catalizador e péssima regulamentação do Estado em relação ao mínimo de partículas que podem ser emitidas à atmosfera – e vale lembrar que atualmente a UE está baixando este índice nas suas regulamentações, mostrando a preocupação com o assunto e certo respeito para com seus cidadãos-habitantes, que a cada dia têm que disputar espaços com a "macchina" – resulta na situação grave em que nos encontramos todos; sim, todos que vivemos na cidade de São Paulo.

Já que o Estado obedece a interesses econômicos-privados da indústria automobilística, que cada um que tem um automóvel, seja de que ano for, busque estar em permanente atenção ao que é expelido pelo seu próprio escapamento, já que a fiscalização é quase nula, os combustíveis que consumimos são de qualidade questionável e porque a cada dia só aumenta o número de automóveis nas ruas da cidade. Automóveis estes que enquanto novos seguem as regulamentações de fábrica quanto à emissão de poluentes, regulamentações pouco rigorosas, diga-se de passagem, mas quando já com certo tempo – dada principalmente à má qualidade da gasolina utilizada – poluem tanto quanto os carros mais antigos.

É tempo de agir, cobrar e fazer ao menos a própria parte. Ou esperemos pelo tempo em que deveremos circular pela cidade, quiçá até dentro de casa, com máscaras coladas ao próprio rosto.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Cada macaco no seu galho

É. Já diz muito o título. Em tempos em que as especialidades são cada vez mais exijidas, mais se faz verdadeira a idéia do cada um na sua. Mas qual é a de cada um? Se partirmos de um certo ponto mais voltado ao campo profissional, pode ser um pouco menos difícil achar o espaço, ou seja, o galho. Mas se partirmos de uma origem um pouco mais humana, a coisa complica de vez.

Se na passagem do tempo somos regidos pela idéia do novo, ou melhor, do atual – pois está cada vez mais complicado designar o novo de novo – que quase sempre vem para negar o anterior que é substituído – como um ciclo pré-definido que aparentemente muda, mas não muda, apenas toma e retoma – a questão da especificação está cada vez mais em alta, ao contrário de tempos anteriores, em que quanto mais conhecimentos universais pudessem ser adquiridos melhor seria o conjunto de competências de cada um. Hoje, porém, é melhor saber ao máximo possível realizar determinada função, ação, ou seja, ter conhecimento quase que total do seu galho. Parece cada vez mais não importar ter conhecimento, ao menos, mínimo da árvore como um todo, nem de onde ela está, de onde veio e qual será seu fim, pois tudo tem origem, desenvolvimento, finalidade e fim.

Não que devamos saber tudo muito bem, mas na vida não somos como máquinas, programadas para realizar apenas sua função específica até que esta canse e seja substituída por outra, talvez mais rápida, mais eficiente e mais barata. Para o desenvolvimento profissional de cada um isso pode ser obrigatoriedade, escolha ou/e até necessidade. Mas a vida não é feita apenas de acordar, trabalhar, se alimentar e dormir. Humanos devem viver, realcionar coisas diversas, interagir, trocar experiências, entender e se desentender, errar, aprender e, se possível, errar de novo, mas que sejam outros erros que não os mesmos de sempre.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Mudanças obrigadas

Depois de passar o fim de semana inteiro tentando resolver um poblema para conseguir acessar o antigo blog e postar novos textos, desisti e fiz um novo, meio que nos moldes do antigo (que durou apenas 3 dias) para continuar tentando a cada dia a inserção no mundo digital, que facilita em muitos aspectos, mas que também nos toma um certo tempo que pode ou não ser perdido a qualquer momento, já que tudo pode ser corrompido por um vírus ou hacker, e todo um trabalho pode se perder definitivamente, principalemte se não houver backup.

Este novo tem uma pequena alteração no seu título e endereço, agora se chama "Pensamentos, linhas e letras" ao contrário do antigo que se chamava "Letras, linhas e pensamentos".
O endereço também mudou, por obrigação, claro;

http://pensamentoslinhaseletras.blogspot.com

Vale lembrar que tranferi as postagens do anterior para este novo, mas perdi os comentários, infelizmente.

Bom, espero que tudo corra bem, se assim o Google permitir, e que consiga daqui em diante entrar, fazer as alterações, postar novos textos etc.

Um abraço a todos.

Helder.

Em agradecimento

Logo de início, uma postagem em agradecimento à Instituição que abriu minha cabeça, retirou uma série de pensamentos e plantou outras milhares de séries deles deve aqui ficar registrada.
O agradecimento é à FFLCH - Faculdade de Filosofia, LETRAS e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Não que Letras esteja em um plano maior ou menor do que os outros cursos como Filosofia, Geografia, História e Ciências Sociais. Está escrita dessa maneira em destaque porque foi o curso de minha opção e formação, e por isso um carinho e agradecimento especiais. Mas não foi apenas através das disciplinas do curso de Letras que minha experiência universitária se deu, e devo dizer que ainda se dá. As verdadeiras amizades feitas com alunos dos outros curso da FFLCH – e por favor não faça a leitura isolada das letras, por se tratar apenas de consoantes, houve a necessidade de vocalizá-las, logo temos "fefelésh" (é, preferi o"sh" ao "ch") – contribuíram e contribuem para a contínua formação como humano, cidadão, pensador, amigo, ouvinte, iiiiiiiiii... se for continuar não vou parar, pois na FFLCH, se você conseguir perceber e permitir, a formação pode ser universal. Não que você saberá tudo, isto é impossível, mas sua visão será mais abrangente, mais universal sim. Nesta unidade da USP, a formação não é apenas para um mercado de trabalho, é para a vida e de como vivê-la.
O fato mesmo é que ainda não citei o que de forma plena possibilitou que amizades fossem construídas. Amizades que hoje fazem parte de mim como minha perna, meu braço, meu coração, ou seja, não consigo sequer me imaginar sem elas. A Associação Atlética Acadêmica Oswald de Andrade, funda em 1984, foi impactante na minha trajetória dentro da Universidade de São Paulo. Desde criança fui incentivado à prática de esporte, nos mais variados deles, desde a primeira bicuda em uma bola, pedra ou quem sabe alguém, passando pelas artes marciais, atletismo, esportes de quadra, mas... o que me despertou mesmo a paixão foi o futebol. Aquele jogado na grama verde, com amplo espaço para correr com ou atrás da bola. De início tive tanto amor para com a bola que logo aos sete anos de idade queria ela só pra mim, logo meu primeiro técnico de futebol percebendo tudo isso me colocou no gol, onde, segundo ele, eu poderia contar só comigo e ter a bola só pra mim, quando da oportunidade dela num chute qualquer vir em minha direção, ou eu ter que ir atrás dela seja lá de que modo for e sem saber ao certo como terminaria a ação de aterrizar no chão e tê-la só para mim, como um pai que segura a própria filha sem se importar com a queda para salvá-la do perigo, proporcionando todo afeto e carinho que só as mãos humanas podem oferecer.
Voltando à atlética, foi através dela que pude fazer as minhas amizades, me dedicar ao esporte universitário, de me desenvolver como humano e tantas outras coisas, enfim, de ter contato com tantas variáveis e ensinamentos.
Então é com muito orgulho que digo obrigado, USP; obrigado, FFLCH; obrigado, Letras; obrigado, atlética Oswald de Andrade; obrigado, amigos. Tudo isso estará comigo no meu coração até que a última batida seja executada, e será levado comigo nas minhas memórias para onde quer que eu vá, mesmo depois de minha morte, pois a matéria ficará e com o tempo desaparecerá, mas as lembranças serão eternas e estarão sempre comigo onde quer que eu esteja.

A opinião ou competição?

Por que todos querem dar suas opiniões em primeiro lugar ao invés de ouvir ao menos uma e outra alheias?
Em todas as esferas e diversas relações sociais, falar vale mais do que ouvir. Quando criança, ouvia dos mais velhos que a gente tem duas orelhas e uma só boca. Agora que virei um deles, entendo o que queriam dizer. O fato é que a vontade, ou necessidade, de expressão é real, não importando o assunto, se tem conhecimento deste, se é interessante, enfim, o que vale mesmo é dar o seu próprio pitaco. E me parece que quando se trata do sexo feminino a coisa piora. Uma mal acaba de falar e outra já quase que num ato de interrupção que ao mesmo tempo é de dar seqüência exercita os músculos da face e a língua na intenção de acabar com a angústia do silêncio próprio.
Mas com os homens a coisa não muda muito. O que parece diferente mesmo é que com os homens a vaidade parece imperar, principalmente nos dias de hoje. As mulheres falam por falar mesmo, já os homens parecem que têm uma certa necessidade de "meter uma mala", de se auto-afirmar, de contar certa vantagem, de poder dizer "ah... isso eu sei, disso eu entendo", numa espécie de competição velada, mascarada, porém cada vez mais cotidiana. Não que as mulheres não compitam, mas em relação ao ato de falar parece que elas o fazem mais por natureza e não por competição.
Será que antes de se expressar você entendeu o que o outro disse ou quis dizer?
Tenho certeza de que muitas vezes sequer entendido, quiçá ouvido, você foi. Faça o teste: depois de terminar de falar, pergunte aos outros o que ouviram e entederam do que foi dito por você. É supreendente.

Post Inaugural!

Por problemas técnicos com o Google, tive de mudar o endereço e o nome do blog, pois não conseguimos resolver o problema de login para postar novos textos e receber novos comentários. Aos que comentaram as primeiras postagens, fica o pedido de desculpas, e fiquem completamente à vontade para comentar os textos do blog, novamente ou futuramente.

Contudo, segue o texto inaugural.

Com muita expectativa este espaço foi criado e ficará à disposição para discussão, revelação, desenvolvimento, crítica, novidades e tudo que for relacionado ao mundo das Letras, Linhas e Pensamentos em textos dos mais diversos gêneros e assuntos.