terça-feira, 4 de maio de 2010

Desconserto e desconforto

Não era pra ser assim.
A falta de comunicação se confunde com o desprezo.
A incerteza toma conta,
E os pensamentos pairam sobre a escuridão.
Não se sabe se errou, se é por conta do medo, ou por mágoa.

E assim há o afastamento.

Há o sentimento de perda.
E não há sequer como saber o que aconteceu.
Há sempre indícios, mas certeza, não,
Pelo menos até a honestidade e sinceridade serem guia
Para uma clara e objetiva comunicação.

Por que nos comunicamos tão bem
Sobre coisas que não têm lá muita importância
E tão mal quando "coisas" mais nobres,
Como sentimentos, estão envolvidas?

Medo?
Mágoa?
Inabilidade?
Má intensão?
Arrependimento?
O novo em detrimento do velho?
Simples mudança de pensamento?

Há certas atitudes que no mínimo beiram o desrespeito.
Ou então é por pura insegurança,
Mesmo assim não escapa ao desrespeito, à falta de consideração.
Quando duas pessoas cultivam algum tipo de relação,
O respeito é a base para todo o resto.
Pelo menos é assim que deveria ser.

Enquanto a dúvida insiste em prevalecer,
A dor, angústia e os pensamentos ficam à sombra do pessimismo.
Mas o tempo, ah o tempo...
Este se encarrega de se não ao menos esclarecer tudo,
De colocar outras situações que nos fazem substitui-las,
Pois esta é a lei da vida: o novo toma o lugar do velho,
Mas como esse processo inevitável se dá é o que importa,
E podemos traduzi-lo em um verbo simples à língua portuguesa,
Mas tão difícil para o ser humano entender, conjugar e praticar:

Viver.

Preciso que acendam a luz.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A descaracterização e banalização do "amarelo"

É, mais um vez o problema está no humano e suas relações sociais, na verdade a cor amarela em si não mudou, o aspecto social é que a deturpa.

Há muito, tenho notado que o "amarelo" já não é o que era antes. Naquele bendito livrinho de "regras", o amarelo é uma advertência séria, é algo a ser levado em conta, a ser respeitado, e que forçosamente muda nossa atitude quando este então se faz presente. Mas no dia a dia, a coisa não é bem assim.

Comece a reparar, quando o amarelo surge no semáfaro, em bom paulistanês farol, a esmagadora maioria, em vez de assumi-lo como um alerta, diminuir a velocidade e parar, faz o contrário, pisa fundo, como se fosse o verde, e aproveita o "resto" de tempo para passar o cruzamento. No trânsito, de fato a ansiedade, a má educação, o individualismo e estresse imperam. Mas não são desculpas para a inversão de valor. Valores? Hoje em dia? Então de um lado há aquele que acelera e do outro o ansioso que acelera também, resultado: crash!

E no futebol então?! O amarelo é uma coisa séria, com consequências imediatas e posteriores ao jogo em que o dito apareceu. É um freio psicológico grande. Muda o jeito de jogar, de se comportar, muitas vezes não só de caráter individual mas também coletivo, já que em um jogo de futebol o individual e o coletivo rivalizam e se completam ao mesmo tempo, ora um com mais importância, ora o outro. Mas ao que assistimos nos dias de hoje no futebol brasileiro, e talvez um pouco mais no paulista, é a descaracterização dessa ação de "amarelar" e de "ser amarelado". Em tempos de mediocrização, confunde-se o amarelo com o aspecto viril, com um possível cálculo errado de velocidade e tempo, com a vontade de vencer, de ter a bola para si, enquanto muitas vezes lances de má intenção, de maldade mesmo, de cotovelos na cara com a desculpa de proteger a bola passam despercebidos pelo "amarelo". Jogador de futebol não é de vidro. Soma-se a isso o despreparo intelectual dos árbitros, dá no que dá. Em lances de aplicação pura da regra, não há o que se discutir. Mas em lance de interpretação, há um leque vasto de opções de caracterização, e para interpretá-lo há a necessidade de alguma experiência, sensibilidade, coerência, certa malandragem, confiança e não somente conhecimento das regras do esporte em si. Há sim falta de preparo intelectual, de bom senso e de sensibilidade por parte de todos, de árbitros então nem se fala!

Parece um pouco com o jeito que o pais tratam as crianças hoje em dia. Sou do tempo, um tempo nem tão distante assim, em que uma advertência da minha mãe ou do meu pai era de fato uma advertência, e ai de mim se passasse do limite, tomaria o "vermelho" com certeza, seja lá de que forma e onde fosse, a"vermelhidão" educava! Hoje não, os pais não impõem tais limites, mas apresentam a advertência, o "amarelo", sem serventia, de forma banalizada e descaracterizada, pois o segundo "amarelo" teima em não aparecer, assim o "vermelho" não surge, e segue o jogo. Muita conversa, pouco "amarelo" de fato e o "vermelho" quase ausente.

Que fase.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ah, os velhos tempos.

Achei bem interessante o texto. Boa leitura.

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um. – Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre. E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia. – Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre
e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim. Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia: – Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa. Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma
parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa. Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos
a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite. O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores:
televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa: – Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que
escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores. Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite....

Que saudade do compadre e da comadre! Sinto mais q saudade dos
compadres...sinto saudade da atenção, do carinho , dos vizinhos q se ajudavam, sinto saudade do aperto de mão, vigoroso, do abraço na hora sombria! Não existe mais nada disso, hoje tratamos do amor como algo perecível, tão efemero que, dura o tempo de um e-mail e de um scrap no orkut, banal, frio, hoje tratamos sexo como instinto, tanto faz quem é o parceiro (a) não importa, é banal , o importante é o numero de vezes para contar vantagem.
Eu diria sem medo...ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE... triste isso!


Autoria de José Antônio Oliveira de Resende, Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Derramar o sangue podre

Ah... são os mesmo sentimentos de sempre, mas hoje com vontade de partir para ação! De eliminar o mal, metralhar, explodir, serrar, cortar cabeças, fazer o sangue podre jorrar!

Tudo aqui nesse país parece andar para trás, ou permanece na estagnação. Eu estou no meu limite. Povo sem educação, despreparado para as coisas mais básicas da vida, para o trabalho, para viver consigo mesmo! País do futuro? Já tem gente imaginando esquemas para "se dar bem"com a recém-descoberta de petróleo e sua futura exploração e venda! Eu repito, só não veremos o sangue da revolta bater à porta porque somos um povo "muito bom", pacífico, que gosta de festa, sexo, putaria, do "rebolation" ou estou enganado? Aquilo que acontece nas Câmaras republicanas brasileiras não é uma putaria? E aquilo que é assistido na TV, também não é?

Sem esperanças. E como poderia ter se não há preparo, se não há educação nessa porra de país!?

Isso aqui é o paraíso para a disseminação das mazelas!

Que venha 2012 e que os Maias tenham acertado em relação ao fim de um cilco na Terra, que seja o fim do ciclo das mazelas, das desgraças, da ignorância, da exploração brutal que destroi o planeta para acúmulo de riqueza nas mãos de poucos, pois como já há tempos disse Rage Against The Machine, "When ignorance reigns, life is lost".

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O primeiro do ano

Parece ser quase sempre igual. Em novembro começam a decorar tudo que podem com luzinhas do tipo pisca-pisca da China, panettones começam a ser vendidos em tudo quanto é lugar, todos saem às compras e ajudam a movimentar a economia muitas vezes comprando coisas as quais nem são precisas e de repente, olhe ele lá, é... o velho gordo barbudo yankee dentro de uma roupa vermelha mais quente que o forno de casa quando do momento em que é assada alguma ave ou parte dela modificada em laboratório, que acaba sendo chamada apenas de "chester".

Aí vêm as retrospectivas, os especiais de Natal, o Roberto Carlos na Globo e a Missa do Galo, que sempre começa em ponto mas que no ano de 2009 atrasou, acertaram o Papa. Enfim, passa o Natal e vêm os preparativos para o Réveillon, as promessas de fim de ano, o corre-corre para achar um lugar na praia, o inferno das estradas entupidas, a falta de água, o mar impróprio para o banho, filas e mais filas para tantas coisas... e de repente chegou a hora da virada, chegou a hora de sujar a praia, o mar, pular ondinhas e renovar as esperanças no ano que se inicia. Reflexão, ha, muito menos do que deveria existir, pois a maioria está preocupada em tomar todas e ter algum prazer.

Mas aí as férias coletivas acabam e tudo volta ao normal sem que nada anteriormente dito tenha sido fora do normal de todos os outros anos. Tudo acaba se repetindo numa rotina aterrorizante. E continuamos tomamos todas e aliviamos a dor. Dor da mesmice, de ver que mais um ano passou e muito daquilo que desejamos não se concretizou, seja por culpa nossa ou por interferência externa, sei lá. Ou apenas para festejar. Fica a impressão que mais um ano passou e quase tudo permanece igual.

Mas somos brasileiros e não desistimos nunca. Ha, ha, ha... quem foi o imbecil que disse isso?

Que ao menos as esperanças se renovem para suportarmos as mesmices: IPVA em janeiro, pré-Carnaval e então o Carnaval: ahhhhhh... o Carnaval! Mas isso é outra história, igual às outras de anos anteriores, mas Carnaval é outra história.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Inútil

"Inútil, a gente somos inútil"

Com essa frase de uma canção do Ultraje a Rigor é possível caracterizar grandíssima parte do que a imprensa disponibiliza como "informação", e este aspecto é cada vez mais percebido na mídia eletrônica, talvez por que neste espaço virtual não há muitos limites e um maior custo por página escrita e impressa, então vai se colocando um monte de lixo e as pessoas vão consumindo esse tipo de "informação". Mas há a necessidade de dizer também que se este tipo de "informação" é disponibilizada é porque há sim de fato um público que a prestigia e que anseia por esse tipo de notícia. Aí vem a pergunta, esse público é vítima ou cúmplice dessa atividade que em nada informa, apenas desvia das reais necessidades de conhecimento e de informação?

Pensar que muitas pessoas não têm o preparo (base educacional) suficiente para o discernimento correto e separação do que importa e do que é apenas fútil é uma via de raciocínio para entender o tamanho impacto e grande espaço que esse tipo de "informação" tem nas mídias cotidianamente. Mas quando se vê que grande parte dessas pessoas teve acesso à educação, até nível universitário, essa tese parece não ser a mais adequada. Daí surge outra questão, que é a discussão sobre o que essas escolas, instituições de ensino e professores têm ensinado a essas pessoas por aí a fora, e acredite, na grande maioria delas é apenas despejado um monte de conteúdo nos alunos visando a aprovação em provas de vestibular, o mais importante, que é a atividade de aprender a discernir, raciocinar, refletir e questionar os fatos cada vez menos é praticado dentro dessas instituições de ensino, que já há muito não formam cidadãos, formam vestibulandos. Mas essa é outra questão. A questão central ainda é se tais pessoas são vítimas ou cúmplices.

Então se não há base suficiente para o discernimento daquilo que se lê, essas pessoas são vítimas dessa imprensa, cada vez mais superficial e desinformante.

Mas se temos em mente que essas pessoas têm base para discernir e refletir sobre aquela "informação" ali posta à disposição, então essas mesmas pessoas são cúmplices dessa imprensa sem serventia, pois à medida que consomem e absorvem essas "informações" colaboram para a manutenção da existência desse tipo de imprensa, pois nesse mundo capitalista nada se sustenta e se mantém se não há consumo.

A alienação é cada vez maior, a manipulação aumenta à medida da falta de reflexão, a perda de tempo se faz presente a cada desvio do que realmente é importante para o dia a dia de cada um, de cada rua, de cada bairro, de cada cidade, país e, enfim, para todo o mundo, causando uma letargia no precesso de evolução de tudo e de todos.

Aos que se importam e não concordam, cresce a cada dia a insatisfação e a revolta, pois muitas vezes parece difícil sobreviver a tudo isso, pois sufoca, tira o ar e aponta o individualismo e o "salve-se quem puder" como solução.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Faz tempo, hein!

Há algum tempo reluto em escrever, ora pela falta de inspiração, ora pela preguiça de ordenar o pensamento em letras, frases e orações. Bom, depois de passar o dia de ontem entre o trabalho de revisão e a escritura de um longo e-mai – que se deu em algumas horas, mas não de forma contínua, acho até que foi o mais extenso de toda minha vida, fiquei até curioso em relação ao número de caracteres – hoje tenho a marcha engatada para escrever. Mas digamos que estou em terceira marcha, a 60 por hora, na maciota, sem acelerar muito, apenas indo.

Então para manter a velocidade, vou transcrever um pouco do meu pensamento para a escrita daquele longo e-mail já citado, pois julgo este haver algumas ideias interessantes a serem refletidas. Então é isso.

Segue.


Com ímpeto questionador de sempre, e isso é assim desde que me reconheço como ser humano, no decorrer do tempo já acreditei mais em tudo isso ligado à espiritualidade, ética e ao bom caráter humano; em outros tempo acreditei menos, mas creio que minha fé, no geral, nunca desapareceu, no máximo enfraqueceu, e quando isso acontecia a vida se encarregou de fortalecê-la de novo, e acho que vai ser assim pro resto da vida, uma hora a gente acredita mais, noutras menos, mas desistir daquilo em que realmente acredito, jamais! E não tem jeito, o ser humano precisa sim ter alguma fé, e neste caso num sentido completamente desvinculado do aspecto religioso; trata-se da fé no sentido de acreditar "com unhas e dentes" em algo, seja lá no que for. Então se alguma herança até agora me foi deixada, creio que essa tal de fé tenha sido o que de mais valioso minha família deixou para mim. Se um dia descobrir que tudo isso é perda de tempo e que realmente o que importa é se desenvolver a partir das leis da selva da Terra, seja ela natural ou de pedra, em que vence o mais forte custe o que custar, paciência. O tempo não voltará e terei perdido tempo. Mas acredito que viver a partir das bases espirituais na Terra ainda seja o melhor a fazer. Se toda essa filosofia foi desenvolvida para manipular a mente humana e para "adestrar" o maior número de pessoas pelo mundo enquanto outras se aproveitam disso para poder construir impérios baseados no acúmulo de bens materiais, na falta de ética e desrespeito para com o próximo... paciência. Por enquanto não é o que acho, apenas vejo muito se utilizando desta questão para tal manipulação em detrimento do desenvolvimento próprio, egoísta e imoral. Digo isso porque nos dias de hoje vejo muito as pessoas se esconderem por trás da religião para justificarem seus atos e condições, e muitas vezes não concordo com a ideia de apenas se ancorar na religião e suas explicações para não fazer nada em termos "mundanos" e humanos para melhorar a situação por aqui na Terra.

Minha revolta ainda é grande ao enxergar o que poderíamos ser como indivíduos e sociedade e ao mesmo tempo em ver o atraso em que nos encontramos, TODOS nós de alguma forma estamos preso a pensamentos e ações que em muito pouco, ou nada mesmo, contribui no geral para uma vida menos sofrida por aqui. E é aí que tudo se complica de vez. Pois não sei direito hoje em dia no que mais acreditar. Ora penso que tudo está degringolando e que só de vez em quando um raio de luz e de sabedoria aparece por aí, mas em termos gerais é como se a vaca já tivesse ido para o brejo e de nada vai adiantar nossas ações e bons pensamentos, porque tudo está apodrecendo vagarosamente, como um dedo que precisava ser cortado, eliminado do todo, mas que não foi e dia a dia acaba por infectar as outras partes saudáveis até que o todo esteja comprometido.

Mas ora penso de forma mais ligada aos estudos científicos-históricos e percebo que na trajetória desde o surgimento e desenvolvimento da raça humana neste planeta até os dias de hoje há sim de fato a questão da evolução, esta tanto de caráter físico como psicológico. Seria então algo de animador, de otimismo mesmo, entender que no mundo tudo é demorado e que em tudo há o mais e o menos evoluído, e aí o aspecto de que nada caminha bem e muito por causa da brevidade da vida humana no planeta em relação à vida do próprio planeta. Hoje podemos viver até os 100 anos, para o planeta esses 100 anos não significa muito, a não ser que aconteça algo realmente grande e diferente, quebrando então o ritmo de tudo, tranformando significativamente as pessoas e/ou o próprio planeta.

Vivo entre esses dois jeitos de pensar, antagônicos, contrastantes, mas que sempre permeiam meus pensamentos, ora prevalece um – pessimista em relação a quase tudo –, ora prevalece o outro – otimista baseado em aspectos mais cintíficos do que de moral e ética humana. Esse impasse e incoerência dentro da minha mente me transtornam. Tomara um dia consiga resolver isso e acreditar em uma ou em outra definitivamente. Sempre pensando que na vida humana muita coisa não é absoluta, ou seja, a verdade de hoje pode ser o falso amanhã, e vice-versa, porque a reflexão deve sempre ser permanente, deve-se sempre ter o espírito questionador e assim buscar as respostas, que devem ser o mais possível coerentes entre si, como peças que vão se encaixando sem atrapalhar a outra, porque o conjunto é o que importa, mas é através de cada peça que o todo se forma; daí o valor único e equivalente de cada peça.

Para que um compreenda o outro, há a necessidade de uma boa comunicação, explícita e o mais clara possível. Não há mais epaços para não comunicar, de não dizer o que pensa, de se manter em silêncio. Ou pior ainda, de externar algo falso para agradar aos ouvidos de quem ouve, agindo de forma desonesta consigo próprio e para com os outros, em que a insinceridade impera. Nada disso ajuda, ao contrário, atrapalha, e muito. E ficar tentando imaginar o que o outro pensa em relação a qualquer coisa é perder tempo. Não perguntar a opinião do outro é faltar com a consideração e respeito ao outro que também consome oxigênio e tem as mesmas necessidades básicas para viver; é viver isolado numa bolha, e ninguém foi feito para viver numa bolha, então que não construamos uma para nós mesmo e pior, para os outros.

Mas há que se respeitar, acima de tudo, e entender que pensamos de maneira diferente, e neste caso sem julgamentos, principalmente em relação a melhor ou pior, muitas vezes se trata apenas de ser diferente. E se não fosse a diversidade de pensamentos a mediocridade imperaria. Divergir é evoluir, pois da divergência se busca a convergência, o acordo, a solução. Agora teimosia e estupidez não dá pra aceitar.

Imperar não parece ser também a melhor escolha. Respeito, negociação, confiança e convencimento criam as bases sólidas para se construir seja lá o que for.